terça-feira, 7 de julho de 2009

Clássico-Rei, torcedor-plebeu

No último sábado, Ceará e Fortaleza se enfrentaram em partida válida pela Série B do Campeonato Brasileiro. O Clássico-Rei, como é alcunhado o duelo entre as equipes mais tradicionais do Estado, terminou empatado sem gols e manteve ambos em situação ruim na tabela da competição nacional.

A convite da TV O Povo, emissora local, o advogado Hércules Amaral, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor da OAB/CE, esteve no estádio Castelão e, como esperado, constatou mais de 20 irregularidades.

Abaixo, veja o vídeo da reportagem publicada nesta segunda-feira, expondo as deficiências do local que está indicado como sede da capital cearense para a Copa do Mundo de 2014. E como sofre o torcedor...

domingo, 5 de julho de 2009

Quando o estádio só deixa más lembranças

Veja relatos sobre o conflito entre Brigada Militar e torcedores do Grêmio durante o início do jogo entre a equipe gaúcha e o Cruzeiro, pela Libertadores, no Olímpico, na última quinta.

A reportagem é do jornal Zero Hora.

Torcedores relatam drama vivido no Estádio Olímpico

Carlos Guilherme Ferreira

"Enquanto a bola rolava para a segunda partida entre Grêmio e Cruzeiro, pelas semifinais da Copa Libertadores da América, torcedores entravam em conflito com a Brigada Militar na tentativa de entrar para acompanhar o jogo. Conheça três casos de pessoas que passaram pelo drama na noite de quinta-feira.

Renan apanhou na cabeça

Para muitos torcedores do Grêmio, a noite da derrota para o Cruzeiro foi inesquecível _ no pior sentido possível. Devido à ação enérgica da Brigada Militar (BM), houve gente como o estudante Renan Zucatti, 22 anos, que acabou no HPS. Ele não viu o jogo e ainda teve de ferimentos no braço, que está enfaixado, e na cabeça.

– Depois dessa, não voltou mais ao Olímpico tão cedo – prometeu.

Renan foi agredido em frente ao portão 13, por volta de 21h15min. Estava na fila para entrar e acabou empurrado pela multidão no momento em que começou a ação da BM e o portão foi fechado. Se viu diante dos escudos dos policiais e levantou os braços, em atitude repetida pelo irmão que o acompanhava. De nada adiantou: sofreu três pauladas de cassetete, a última na cabeça, que o derrubou.

O torcedor conta que sequer tentou perguntar a alguém do Grêmio o que estava acontecendo, por medo de novas agressões. Tentou ir ao posto policial no estádio, mas desistiu. Aí, foi ao HPS.

Fernando viu crianças chorando

O sócio Fernando Weschenfelder, 28 anos, conta que ouviu os policiais gritarem "lotou, lotou" em frente ao portão 5. Também por volta das 21h15min, afirma que a polícia dizia que o fechamento do portão era ordem da direção. Isso até aparecer a cavalaria.

– A torcida corria em direção aos carros para tentar se proteger. Havia mulheres e crianças chorando. Foi uma cena de terror – descreveu.

Fernando conseguiu entrar no estádio pouco antes do segundo gol do Cruzeiro, mas antes afirma ter visto um policial identificado como Dione atacando diversos torcedores com pauladas na cabeça. Houve uso de espadas, gás de pimenta e cassetetes. Também deboche, garantiu:

– Eles falavam: "Já tão perdendo e querem entrar. Vão para casa!".

Fernando planeja deixar de ser sócio do Grêmio.

Samuel acabou preso

Samuel dos Reis, 24 anos, de Novo Hamburgo, passou o primeiro tempo inteiro na cela do posto de triagem do Olímpico. Isto porque, afirma, pediu a três brigadianos que não agredissem uma menina.

– Me pegaram pelo braço e me levaram para uma cela. Disseram: "Fica aí, mofando" – contou.

Sócio, o torcedor alega que em nenhum momento houve justificativa para a prisão, e que os policiais que cuidavam da cela também desconheciam o motivo. Só aconteceu liberação porque Samuel insistiu na argumentação.

Antes da prisão, ele caminhou repetidas vezes entre os portões 10 e 16. Viu cenas de agressão e de torcedores pedindo para não apanhar, sem sucesso."

Mande um cartão vermelho para o racismo

Aproveitando os recentes posts que comentam o racismo no futebol, tanto entre jogadores e entre torcedores, aconselho os leitores da Casa do Torcedor a conhecerem o projeto Mande um cartão vermelho para o racismo. Trata-se de uma iniciativa da campanha Diálogos contra o racismo, do Ibase.

O projeto tem como objetivo combater o racismo no futebol, exigindo punições mais rigorosas para os casos de discriminação racial ocorridos no esporte, tanto dentro como fora de campo.

O site www.racismonofutebol.org.br traz ainda notícias e artigos sobre o assunto, trazendo à tona muitos casos que não são revelados na grande mídia.

E para aqueles que acham que se queixar de uma ofensa racista, como fez Elicarlos, é frescura, deixo a pergunta que abre o manifesto do projeto:

"Como você se sentiria se fosse xingado de "macaco" em seu local de trabalho, pelo fato de ser negro?"

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Racismo no Olímpico – Parte II

Na semana passada comentei aqui um caso de racismo no estádio Olímpico em Porto Alegre. Na ocasião, um torcedor chamou a polícia após sofrer ataques racistas de um outro torcedor gremista em uma discussão, durante a partida entre Grêmio e Goiás, pelo Brasileiro.

Nos comentários, um leitor postou anonimamente:

“Imagina se em cada greNAL os torcedores do INTER fosse chamar a polícia por sofrer ofenças racistas? Não haveria mais torcedores do gfpa nos estádios(se a lei fosse cumprida).Um cantiga "inocente" muito conhecida diz:"CHORA MACACO IMUNDO que nunca ganhou de ninguem...."

Logo abaixo, respondi:

“O fato de as ofensas racistas serem comuns no Olímpico não diminui o crime de racismo cometido pelo torcedor. E se em cada Gre-Nal os torcedores do Inter denunciassem esses casos de racismo, não conviveríamos no futuro de forma passiva com tamanho preconceito e discriminação.”

Pois bem, nesta quinta-feira, durante a partida entre Grêmio e Cruzeiro, o racismo manifestou-se novamente no Olímpico. Torcedores tricolores imitaram som de macaco para ofenderem o zagueiro Leonardo Silva e Elicarlos. Este último, aliás, havia acusado o atacante argentino Maxi López de racismo no primeiro jogo da semifinal.

O presidente gremista Duda Kroeff classificou como lamentável o ato de alguns torcedores e disse que vai tentar identificá-los para bani-los do Olímpico. Só que a diretoria do Grêmio, alguns jogadores e o próprio técnico Paulo Autuori são de certa forma responsáveis por esse ato de hostilidade contra os atletas cruzeirenses.

Depois do episódio envolvendo Maxi López e Elicarlos, todos eles se prontificaram a defender o argentino e tentar transferir a culpa do ocorrido para o Cruzeiro. Isso sem falar nas declarações irresponsáveis de Souza (“futebol é para homem”) e de Autuori (“não existe racismo no futebol”).

Nada tira a culpa dos torcedores racistas que imitaram macacos no Olímpico. Se identificados, eles devem sofrer punições severas, como prevê nossa Constituição. Mas pessoas que têm o poder da palavra no futebol e o usam para negar a existência do racismo ou desqualificar essas denúncias de preconceito, contribuem consideravelmente para a permanência desse mal que aflige a sociedade brasileira, dentro e fora dos estádios.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Torcedor é atingido por bala perdida a caminho do Maracanã

Do G1, do Rio de Janeiro

Um homem foi baleado de raspão na tarde de domingo (28), em Engenho Novo. Segundo informações da Polícia Militar, ele estava a caminho do Maracanã quando foi atingido nas costas. A vítima foi levada para o Hospital Salgado Filho, no Méier, no subúrbio.

De acordo com a Polícia Militar, até o fim da noite não havia informações de onde teria partido o disparo. O torcedor, um rapaz de 22 anos, foi medicado e liberado.

No início do jogo Flamengo x Fluminense houve um princípio de tumulto em frente ao portão 15 do Maracanã. Mas logo foi controlado pelos policiais que faziam o patrulhamento na área. Ninguém ficou ferido.

Operação combate irregularidades

A Secretaria municipal de Ordem Pública realizou uma operação no entorno do Maracanã durante o jogo. Foram rebocados 18 veículos e outros 134 multados. Um homem foi detido por fiscais sob a acusação de que não tinha autorização para trabalhar como flanelinha.

Com ambulantes ilegais foram apreendidas 285 latas de cerveja, 37 de refrigerantes, 49 garrafas de água mineral, três mochilas, duas bolsas térmicas, 46 camisas de clube e 22 bandanas.

sábado, 27 de junho de 2009

No prejuízo, torcedor do Botafogo acionará clube na Justiça

A notícia abaixo é do Lancenet! Mostra uma postura interessante de um torcedor que se sentiu prejudicado pela diretoria do seu clube do coração.


"Sentindo-se lesado pelo cancelamento da preliminar que contaria com os ídolos botafoguenses do título carioca de 1989, neste sábado, o torcedor Fernando Paiva, que mora em Vitória (ES), vai acionar o clube no Juizado Especial na segunda-feira. Ele quer que ao menos os custos da passagem para o Rio e da reserva do hotel, em um total de R$ 400, sejam ressarcidos pela diretoria.

- Essa foi a pior de todas as trapalhadas dessa diretoria. Divulgaram o evento o mês inteiro, saiu na mídia e, um dia antes de acontecer, com os torcedores até de fora do estado programados para ir prestigiar, cancelam. É muita falta de respeito - reclamou Fernando, de 26 anos.

- Tinha apenas seis quando o Botafogo conquistou este título e saiu da fila. Era a minha única oportunidade - lamentou.

Vice-presidente jurídico do clube, Gustavo Noronha classificou a reclamação do alvinegro como "incabível", porque a restrição fugiu do controle do Alvinegro. A justificativa dada para que o jogo fosse cancelado foi de que o gramado do estádio ficaria muito prejudicado por conta da chuva.

- Não vejo fundamento nisso, o Botafogo está tranquilo. A atitute foi tomada por uma razão técnica. Mas ele tem o direito de tentar. De qualquer modo, a homenagem ocorreu, mesmo sem a bola rolando. E foi belíssima. É uma pena que este torcedor não tem vindo para assisti-la - comentou o dirigente."

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Caso de racismo no Olímpico – Veja como proceder

Durante o empate por 2 a 2 entre Grêmio e Goiás, no Olímpico, no último sábado, um torcedor chamou a polícia após sofrer ataques racistas de um outro torcedor tricolor durante uma discussão.

O torcedor foi levado ao Juizado Especial Criminal, que funciona no Olímpico e no Beira-Rio em dias de jogos. O juiz, porém, considerou que casos de racismo são de vulto maior e o agressor foi levado para a 2ª Delegacia de Polícia da cidade.

Os juizados dos dois estádios costumam receber casos de posse de drogas e de agressões físicas, e julgam na hora. No caso de racismo, esse foi o primeiro.

Com informações da Lancepress

A Constituição Federal do Brasil de 1988 tornou o racismo crime no país. Em 5 de janeiro de 1989 foi publicada a Lei Caó, nº 7.716, que determina a pena para cada caso de racismo. Essa lei foi modificada pela lei 9.459/97 e constitui a principal arma do cidadão pela punição de atos de preconceito e discriminação racial.

De acordo com o parágrafo 3º da lei, injuriar alguém utilizando elementos relacionados à raça, cor, etnia, religião ou origem tem como pena reclusão de um a três anos e multa.

Para quem já sofreu ofensas racistas em estádios ou em qualquer outro lugar, veja como proceder em texto de Zacarias Anselmo da Silva, que foi presidente da Kilombo, organização Negra do Rio Grande do Norte. O texto é do site Direitos Humanos na Internet, o DHnet.

COMO PROCEDER EM CASOS DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL

  • Preste queixa em uma Delegacia de Policia ou através de Ministério Público ou em outros órgãos destinados à questão, munido(a) de 2 (duas) testemunhas (anote nomes, endereços, telefones).
  • Procure preservar todos os detalhes do caso, para facilitar os procedimentos legais.
  • Entre em contato com entidades ligadas ao Movimento Negro ou que defendam os Direitos Humanos, para obter apoio e orientações jurídicas e policiais.
  • Faça denúncia através dos meios de comunicação.
  • Se a atitude criminosa não for contra você, preste toda solidariedade possível à pessoa discriminada.
  • Importante: Faça a denúncia mesmo que não tenha testemunhas. Garanta seus direitos.

Mais um fim de semana de confrontos entre torcidas

Como coloquei no post abaixo, em virtude da irresponsabilidade da PM e de autoridades do futebol baiano, era provável que acontecesse confrontos entre torcedores de Bahia e Vitória no sábado. Pela imprensa, ainda não soube, felizmente, de nenhum incidente grave que tenha ocorrido entre os jogos dos dois rivais de Salvador.

Mas o fim de semana não deixou de ter conflitos que já são rotineiros. Durante a semana, as torcidas de Guarani e Ponte Preta anunciavam o “dérbi da paz”. Antes, durante e depois do jogo, o que se viu foi só violência.

Durante o intervalo da partida, iniciou-se uma briga generalizada entre a torcida do Guarani e policiais militares. No confronto, quatro PMs foram feridos e tiveram de ser levados ao pronto-socorro do Hospital Mário Gatti. Um deles teve um ferimento grave na cabeça após ser atingido por uma pedra.

A Organizada Fúria Independente foi acusada por parte da imprensa de ter causado o confronto. Leia comunicado da torcida alviverde aqui.

Depois do jogo, na saída do Moisés Lucarelli, torcedores do Guarani começaram a danificar catracas do estádio. A polícia interveio com bombas de efeito moral e balas de borracha.

Brigas que até ofuscaram a vitória bugrina, encerrando um jejum de seis anos sem vencer o maior rival.

Outra briga ocorreu no domingo, mas bem longe de qualquer estádio. Em Caieiras, município da Grande São Paulo, torcedores do Corinthians que seguiam para o jogo contra o São Paulo, se encontraram com membros de uma organizada do Palmeiras, ao sair da estação ferroviária da cidade.

As duas torcidas se enfrentaram com paus, pedras e rojões. Ao todo, 28 torcedores, sendo cinco adolescentes, estiveram envolvidos no caso.

Depois, torcedores palmeirenses ainda ameaçaram invadir a 5ª Companhia da Polícia Militar da cidade, que foi atingida por pedras.

No final, algo que serve de explicação para todos esses confrontos: Ninguém foi preso.

sábado, 20 de junho de 2009

Irresponsabilidade na Bahia

Se você soubesse de algo ruim que pusesse acontecer, você tentaria evitar?

A Polícia Militar e autoridades do governo e do futebol baiano não tentaram.

Neste sábado, às 16h, no Barradão, a partida é Vitória e Botafogo. Já às 21h, jogam Bahia e Ipatinga em Pituaçu. Apenas cinco quilômetros separam os estádios, que têm como principal acesso a mesma via, a Avenida Paralela.

Além do encontro provável, o risco de confronto aumenta devido ao momento tenso que vive as torcidas organizadas de Salvador. Nos últimos dois meses foram registradas duas mortes provocadas por brigas entre as organizadas Bamor, do Bahia, e TUI, Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI), do Vitória.

Nenhum esquema especial de segurança foi montado pela polícia.

A medida mais simples e eficaz, seria, obviamente, mudar a data de um dos jogos. Mas todo mundo ignorou o risco de violência. Agora, como de praxe, um passa a culpa para o outro.

Quem marca a data e horário dos jogos do Nacional é a CBF, mas é papel das federações de futebol e outras autoridades locais solicitar mudanças em decorrência dessas possibilidades.

Mas como sempre ninguém fez nada. Fica a expectativa de que o improvável aconteça.